Em tempos de lei seca..
Era certo que, mais dia menos dia, a minha profana biografia de vícios e excessos ia chegar aos sagrados ouvidos do pai de todos. Criativo que é, o Criador resolveu criar o júri dos anjos justos pra me julgar. Todos naquela CPI celeste votaram a favor da minha absolvição, mas Deus, o sábio que sabe que sóbrios todos me condenariam, mandou seus únicos 3 anjos ajuizados me buscarem. Assim que ouvi a porta bater, sei lá por quê, pensei que era a polícia e fiz cara de santo. Abri a porta e dei de cara com os anjos. Eles vieram falando num processo, eu não entendi e ofereci um prosecco, eles ficaram possessos e vieram pra cima de mim com suas espadas de luz e sua fúria moralista, eu me esquivei, me defendi, mas, sem ter pra onde ir, me joguei pela janela do décimo andar. Por sorte, meu anjo da guarda tava atento e veio me salvar. Para agradecer pelo serviço prestado, levei meu anjo para um boteco e pedi um engradado. Agradecido, agraciado, meu anjo bateu asas, foi embora embriagado e acabou atropelado, coitado, por uma asa delta no céu de São conrado.
Se voar não beba
Se beber, não voe!!
* Dan *
Nair
Crivando dardos nos olhos dos messias
E arrastando meia-dúzia de ilusões complacentes
eu desço a rua tomada
pelas ladainhas e ladainhas de sempre, tais como
salvações, redenções, e paraísos muito bonitinhos
e nítidos como uma tela wide screen
É ao fim desta procissão grotesca
De sorrisos satisfeitos e groselha
Que encontro Nair, meio blue, Monalisa, desfocada
E diante do quadro, me pergunto
Nair
Qual a dor dos seus olhos?
-Dan-
-----------Entrem Sem Bater-----------
Então,vieram as palavras com parcimônia
eu gritei: sem cerimônia!
Elas pularam e se agruparam formando frases,ditados , rimas...
Sem amônia!
Salve a Amazônia!
E dessa camada ozônia, delícia de estratosfera sonora
um sino berimbau nunca mais parou de me tocar, me encantar
Me encontrar em cada esquina vazia e badalar independentemente
Do estado de minha graça
Agora quando a vida passa, e eu sei que passa
As palavras vêm com parcimônia
Eu digo: sem cerimônia!
Elas pulam, se agrupam, deliram,
piram, choram , trocam irreverências
tomam rumos que eu já nem sei quais são
E adentram fundo mundo afora,
Sem mais delongas nem batências
-Dan-
rostos soltos perdidos espalhados na madruga da Lapa
A Lua saiu de cena para o sol pegar no ponto
pronto para ser suavemente
saboreado com cerveja.
Já é de manhã meu bem
O cenário já mudou também
Os pombos festejam migalhas
Eu até tomaria um café
Mas se ainda tem cerveja
está gelada?
Desce outra.
dudu
p/ toda a classe
Eu sou o ator
Eu sou o melhor
Nenhuma moliére
Resiste ao meu Shakespeare
Me equilibro entre o ser e o não-ser
E disfarço
Depois faço e desfaço
O espaço
Entre eu e você
Eu e você
Estrela na tela
Eu já vi esse filme
Ela faz a novela
Ela gosta de mim!
Ela gosta de mim?
Eu acho que sim
Mas e daí?
Eu sou o astro!
Eu sou o rei!
E sou o astro-rei que ilumina o mundo!
Câmeras- close!
Quero luz no meu perfil!
Holofotes no meu céu
Realce no meu papel!
Sou o ator
Sou o que sou e o que não sou
Sou dado viciado
Na mania de ser
Vocês
-dan-
MUNDANDOMUNDO
Acho ótimo já terem pensado em tudo.
Acho ótima essa função de recriação
é a minha hora do recreio.
Prefiro ir conhecendo o mundo
pela rua
pelo lado de fora
pelo lado de mundo
pela bunda
pelo cú do mundo.
Quero abordar o mundo
pelas barbáries
pelas bordas
pelas barbas dos poetas.
Gosto de aprender o mundo com professores infantis
Quero passar vagarosamente pelo mundo
Quero entrar pelo mundo da lerdeza
Prefiro ir de bicicleta pelo mundo
de bermuda larga sem camisa pelo vasto mundo.
Vou pro mundo de malabares
o mundo da corda bamba
o palhaço do mundo!
Quero beber, tragar, sugar o mundo
Quero mudar o mundo e o mundo quer me mundar!!!
Gosto de estar no mundo da fala
do contato
do tato
de tudo que traz o mundo vivo
o momento do mundo.
Quero o mundo inteiro
Quero o mundo pelo email
Quero me inundar de mundo
Quero me mundificar!!!
Eu sei que já disseram tudo sobre o mundo
Eu acho ótimo já terem pensado em tudo
Eu sei que o mundo está exposto em prateleiras de livrarias
Quero ler aleatoriamente o mundo como um livro de poesias.
DuduPererererererê
bate-bola com chacal

Chaca, véi, saudades!
Um poeminha novo aí:
Perdi minha cabeça!
Perdi e não consigo mais achar
Não sei se deixei em casa, no banco, na mesa do
bar...
Isto que todos vêem
em cima do meu pescoço
não, não me pertence
e olha que há quem pense
com a cabeça fora do lugar
Eu não, não sei, não consigo
Quero minha cabeça para poder pensar
Pensando bem, porém
Não será melhor ficar assim, sem pensar
como um boi, uma vaca, uma popstar?
Ah que prazer!
Sou livre como um protozoário!
Perdi minha cabeça para nunca mais achar
Ou, na verdade, achar que tudo não passa de nada
E que certo e errado não existem!
Perdi minha cabeça e ganhei a vida eterna!
Sou o mais livre de todos os seres
Pois perdi cabeça e minha sã consciência
Na lâmina da guilhotina da ignorância
-Dan-

dan, meu chapinha,
onde andas com a cabeça ?
perdida em que planeta,
caída em que sarjeta,
enfiada em qual blueceta ?
será você a cabeça da mula sem cabeça ?
não que essa é feita por imortais,
jurisconsultos, parlamentares
sujeitos que legislam em causa própria.
você é apenas o mula de copacabana
carregado de entorpecentes cartas de alforria
aos crentes e suicidas.
você com sua não cabeça bizarra.
que como tirésias só vê o que importa,
você, grande dromedário acéfalo,
percorre a hilário com sua falsa cabeça bovina
a lambiscar o traseiro das bezerras, das novilhas
dessa sex paróquia que vai dar no mar.
a benção, descabessauro rex
mujamos pois
chacal
Reiniciar
Tem momentos da vida que o
ESC
não exclui.
Tem horas que o
DELETE
não deleta.
As vezes nem
CTRL + ALT + DEL
dá jeito.
Sabe quando o computador trava e não tem a tecla RESET?
Sabe quando o micro pára e você pira?
Nessas horas
o jeito é puxar da tomada o fio
e religá-lo em seguida.
Quando ligo a máquina novamente,
vários softwares de proteção cismam em retardar a conexão...
Tu me rogaste um vírus e eu fiquei lá,
reiniciando......
dudupererê
MITO
te cato por cada canto
em todo encontro te canto
enquanto me encanto em contos
duduperere
Tempo passa
Mas não passa de tempo!
Nesta quinta-feira, dia 15/05
No Beco dos Carmelitas, Lapa, a partir das 20 hrs
Será grande a pajelança, pois
Os ***RATOS DI VERSOS*** comemoram
2 anos de inebriante existência!
poesia, música, poesia, papo furado, beijo na boca, poesia,
tudo junto numa nota só!
E
Para alegria geral da nação
Teremos grande banquete de queijos(afinal somos ratos), vinhos(afinal somos boêmios) e muita felicidade!
Então...
"vem pra minha festa
que eu te jogo na piscina
e te afogo no fogo de mil beijos
vem pro meu banquete
onde os vinhos justificam os queijos"
PS:E a revolução será novamente televisionada!
De quem é?
Ao botar um filho no mundo não é mais meu o filho,
é de quem ele casar.
Poesia boa é jogada de avanço pra quem quiser pegar...
Mas o poeta é um sujeito ciumento demais
só que
Poesia não tem mãe
Poesia não tem pai
A poesia é uma mulher adúltera
é o nunca dos núncaras
é nêspera na esperança de algum algum...
Apropriem-se de meus escritos
Pirateiem minhas poesias
Intervenha que ela é tua!
dudupererê

declaro o cupido culpado
por ter acertado
uma flecha certeira
no meu coração
e antes de você dizer
que este poema é clichê
declaro o cupido
absolvido
caso encerrado
-Dan-
No quintal do predador
A presa
passeia
sem pressa.
Arisca
arrisca
um sorriso
pronta
para
ser presa.
DuduPererê
Sonhei com Iceberg (para Ju Holanda)
Eu vi um iceberg se erguendo do meio da calamidade urbana.
O frio espinha acima era uma sensação entre o preto-e-branco e o cintilante.
O verão veio cheio de asfaltos fervendo, shoppings coloridos, supermercados com ar condicionado e tudo toca o iceberg urbano.
Calores, frios, dores, calafrios pintados no rosto da cidade soturna entornam gliter prateado em nossos olhos..
À flor de azarrôs
A Dama-da-Noite floresce em tragos
Os ossos expostos em posição de entrega.
Frascos quebram-se
E no fim da esbórnia o sol esbarra nos cacos refletindo lumibrilhantes
naquele iceberg pós-moderno.
Uma gota lagrimamente faz passeio pelo seio da montanha de gelo cálido.
Saio de mim e caio de cabeça na metrópole-atropelo,
Vôo ao alcance do cume quando canso da vida
A rua asfaltada vista dos píncaros é muito mais bonita.
boa viagem
Madeixas ao vento
Pedra esculpida ao relento
Coisas assim...
Pé na estrada
Paisagens instantâneas
Você, de costas
Indo ao encontro do mar
Sem olhar pra trás
Assim se fazem
Boas viagens
Sem olhar pra trás
Assim é que se faz
-Dan-
(méritos p/ thaís)