Cena 1 – externo- Dia lindo ensolarado em Semana chuvosa.
Esses dias, o Dia virou para a Semana e disse:
-Você se sente né? Tá ligada que tu és uma fantasia e que o que existe sou eu, Dia?
A Semana se atrapalha pois não havia se aprofundado nos cálculos... queria só ganhar prestígio... para isso se gabava de englobar o famoso Conjunto dos Sete Dias, com dois de seus componentes destinados à farra e descanso. Depois de absorver o golpe, reprimida e intimidada, balbucia:
- Mas eu só queria agrupar... Para termos todos juntos uma identidade...
E o Dia, porcimamente aproveita o abalo dela:
- Identidade!? Eu não quero me identificar com você! Sou muito mais eu sozinho do que com mala acompanhado! Sou o instante, o agora, o momento. Sou o Dia do Evento! Não te quero e nem preciso. E sei direito teu desejo... É ganhar fama de que agrupa... Você quer dizer que está por trás para na frente pular após. Sou pano de fundo não meu bem.
A Semana furiosa, entre lágrimas, lança o sortilégio:
- Sem o meu apoio e o contato direto com o Mês que faço, nunca serás feriado!
- Sai pra lá de grupinho, eu sou um só!
Responde o Dia ainda soberano.
Cena 2- externo- Dia lindo ensolarado começando a ficar nublado. Nuvens cinzas aproximam-se. A Semana sai de cena e entra a Hora para contracenar com o Dia.
...e o processo de criação inclui a lapidação, um trabalho de pesquisador científico, que depois da super-idéia, mergulha na emoção dela buscando desfamiliarizar o familiar, resgatando a essência, aparando as arestas, enxugando o que escorre...
Ciente que ainda escorro, estou correndo atrás...
Filho prematuro.
Fruta colhida de vez.
Projeto de arte em forma de coisa causada.
Desordem emocional raciocinada.
Dizer: “-Está pronto!” não basta
É preciso já tê-lo esquecido
sem nunca deixar de senti-lo.
O criador convive séculos
remoendo aquilo
antes de dar a luz.
“O Que Pulsa” necessita passar por hordas sensoriais de ordens distintas
e vagar quimeras inúmeras antes de existir.
É imprescindível que antes de ser
o plano tenha desafiado e derrotado o potente criador
e muitos depois
vencido pelo artista
num jogo ambíguo:
dardos e dados.
Oprimido
e então
condenado a
Estátua Mágica
Esfinge Grafada
Peça Ancorada na sombra da palavra.
Filho prematuro.
Fruta colhida de vez.
Projeto de arte em forma de coisa causada.
Desordem emocional raciocinada.
Dizer: “-Está pronto!” não basta
É preciso já tê-lo esquecido
sem nunca deixar de senti-lo.
O criador convive séculos
remoendo aquilo
antes de dar a luz.
“O Que Pulsa”
necessita passar por hordas sensoriais de ordens distintas
e vagar quimeras inúmeras antes de existir.
É imprescindível que antes de ser coisa
o plano tenha desafiado e derrotado o presente criador
e muito muitos depois
vencido pelo artista
num trabalhoso jogo de dardos e dados.
Então
condenado a
Estátua Mágica
Esfinge Grafada
Peça Ancorada na sombra da palavra.
É desde quando mesmo a supremacia das Coisas Objetivas? Fome de quê?
O mistério da Vida manda a encomenda. O poeta é o portador, mais conhecido como office-boy. O pacote chega nas mãos do Artista e na boca da Política. A Fome sempre implantando bombas de efeito moral em todo o mundo. A Casa de Vidro exige memorando em ata por escrito mas depois se lembra da Essência. Os Deputados invocando o poder supremo dos Símbolos e o perfume da Poesia amenizando o cheiro de luzfarolfumaçasinalvermelhoquepassabatidonatraseiradoapressadodaHora. Ainda dá tempo para um poeminha? Bom esse filme... É aquele mesmo é?
......ih... a fome bateu de novo...... fome de quê?
O sorriso contido do vencedor que dá formas de gente ao Demo se vê refletido na fome de guerra e na guerra de fome.... fome de quê?
Para ser Amor tem que ter prazer, mas para ter Prazer qualquer afetinho já consola... mas quando a fome bate amigo, não tem metafísica que segure! Fome de quê?
Para mim é Fogo na quantidade certa, Água sempre em abundância e muita Fome! Sim F O M E, de novo... Quem tem Arte pra vender? Quem tem Arte? Quem tem Fome?
dudupererê
Canto de RATO é buteco.
Chapinhas e guimbas esperam
mais troço que magnífico.
Poça de água espelho.
Baratas e pombos etílicos.
dudupererê
a gente tenta dizer e cai na retórica
a gente tenta alcançar e ultrapassa
a COISA pois a COISA é só a COISA
e muito menos que a interpretação.
a gente tenta dividir para classificar
a gente tenta esmiuçar e nem alcança
a COISA pois a COISA é tanta COISA
que não dá para imaginar.
é muita COISA que tem para vender...
a gente não quer tanta COISA
quer só o capital de comprar
a COISA essencial
a gente nem quer muita COISA
quer só o capital para mandar trazer
a COISA supérflua.
dudupererê
Idéias ladeira abaixo sem freios de raciocinar.
Pássaros e passares: palavrasaves cortinas no pedaço azul de céu a céu
relâmpalavras trovoando clics de faísca: pensamento de pedaço curto.
Escarcéu no sol da sensação.
Sombra nos brios do homem moderno.
Brilho ráp fagulha físq impulso záp corpo zen.
Quarto do corpo vazio à espera do inesperado
para o clic que quisé-lo,
A manga que míssel me serve sumossucos.
Pomba branca que páz na tua camisa.
Bomba atômica que se musica.
duduperererererererê
quando nos encontrarmos, nos descobrirmos
quando nos conhecermos, nos abraçarmos
no dia em que formos apresentados um ao outro
aí sim
serenos seremos
-dan-

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