Falo que eu me escuto
Sempre que eu falo sozinho
Ninguém me escuta
Alhos, bugalhos, armários
Meros espantalhos
Meu violão não me consola, minha sala me ignora, meu binóculo cala
Meu blazer é tão blasé...
O pingüim da geladeira é frio
A pinga do barril é quente
Mas não é gente...
E o eco eco eco
Se espalha palha palha
Na minha casa vazia zia zia
Diante disso
Saio em desespero para a rua
Páro as pessoas
Beijo as pessoas
Dou "bom dia", "boa tarde", "como passa?", "qual sua graça?"
Falo sobre guerra e culinária
Tagarelo até ficar rouco
E ouço um eco oco
Que diz que estou ficando louco louco louco...
Louco e feliz
Volto pra minha casa
Falo com as paredes
As paredes têm ouvidos
E eu duvido que não me escutem....
Tristeza, mas que nada!
Minha solidão é muito bem acompanhada!
-Dan-